Comentário Gelio Fregapani – A Grande Estratégia, Que Interessante, No Mundo e Nosso Momento Político

Gelio Fregapanai 06/06/2017


Comentário Gelio Fregapani – A Grande Estratégia, Que Interessante, No Mundo e Nosso Momento Político

Assuntos: A Grande Estratégia, Que Interessante, No Mundo e Nosso Momento Político.

A Grande Estratégia

As aspirações de uma nação podem se tornar objetivos a atingir, as vezes chamados de metas, mas para os geopolíticos são mesmo Objetivos Nacionais. As necessidades vitais serão sempre objetivos a serem perseguidos. Outros objetivos serão importantes ou apenas desejáveis e o tentar (ou não) atingi-los é uma decisão de governo, bem como a maneira de perseguir os objetivos a que se propõe.

Definidos os Objetivos Nacionais formam a POLÍTICA NACIONAL. Naturalmente, cada nação tem situações diferentes e em consequência objetivos diferentes. Para exemplificar, os EUA procuram manter sua hegemonia mundial e a Rússia recuperar sua posição de grande potência. Nós brasileiros aspiramos ao desenvolvimento, a segurança pública, a punição dos corruptos e naturalmente a manter a unidade nacional, mas por enquanto nosso Governo não definiu essas aspirações como Objetivos Nacionais.  O como alcançar os objetivos é que é a Estratégia Nacional, ou ainda a GRANDE ESTRATÉGIA, impropriamente  chamada, de projeto do País, mas enquanto não forem definidos os objetivos (Política Nacional), o Brasil continua a deriva.

Nossas discussões em busca de caminhos para superar a crise não têm profundidade, pois não se sabe a que ponto se quer chegar; na economia só se sobe juro, desce juro. Na segurança pública só se busca os direitos humanos dos criminosos e quanto a unidade nacional se provoca quistos indígenas e abre as fronteiras à estrangeiros.

Coisas mais profundas, os alicerces de nosso País não são discutidos. Em termos de relações exteriores chega a ser incompreensível como cedemos a todas as exigências sem contrapartida alguma, especialmente na área nuclear.

Temos de recuperar a coesão nacional e o sentido de projeto nacional, colocando o interesse da Nação acima de querelas que dominam nosso dia-a-dia. Por enquanto, o consenso é para a caça e punição aos corruptos. Isto é bom, porém temos aliviado os corruptos e punido severamente as empresas a ponto de inviabilizá-las.

Falta-nos uma definição clara acerca de que Brasil queremos e podemos construir. Na avaliação militar, o País está agindo como se não tivesse objetivos, por tanto sem rumo, sem direção, em consequência sem estratégia. Goste-se ou não do período militar, durante ele estavam definidos objetivos nacionais pela Escola Superior de Guerra e a Grande Estratégia os perseguia com eficácia.

Agora, não é só os militares que começam a reclamar da falta desta sistemática. Os políticos não ouvem as reclamações, pois agora que está mais difícil roubar, ocupam-se apenas em se manter no poder ou a se livrar das punições quando suspeitos. Alguns, partidários do “quanto pior, melhor” ameaçam levar o País ao caos. A parcela inteligente da população pede aos militares que façam uma intervenção, mas estes, ressabiados, respondem que não são feitos para corrigir os governos.

É verdade, não são mesmo, mas face a indefinição de objetivos e a consequente ausência de estratégia, a situação pode chegar a um ponto de onde terão que corrigir os rumos do Governo, mesmo que não queiram. O difícil será voltar atrás.

Enquanto isto

Desde a retirada da Petrobras como operadora única do pré-sal os ativos da empresa estatal vêm sendo vendidos sem licitação, como determina o Plano Nacional de Desestatização e a Lei 13.303, de junho de 2016.

A Petrobras não precisaria vender ativos para reduzir seu nível de endividamento. Ao contrário, na medida em que vende ativos ela reduz sua capacidade de pagamento da dívida no médio prazo e desestrutura sua cadeia produtiva, em prejuízo à geração futura de caixa, além de assumir riscos empresariais desnecessários.

A venda de ativos estratégicos da Petrobrás é apenas uma desnacionalização, fatiada e disfarçada, que resultará numa empresa sem perspectivas. Isto refletirá no futuro do Brasil que, mais uma vez, abdicará da possibilidade de se tornar uma nação poderosa e globalmente influente.

Com a venda das refinarias o Brasil exporta petróleo cru e passa a importar cada vez mais combustíveis refinados, na contra mão das demais petroleiras, que procuram agregar valor a seu produto.

O ministro da Defesa fala em alugar o Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão, para o lançamento de foguetes dos Estados Unidos, mesmo sem transferência de tecnologia. Isto em momento de tantas tensões, equivale a um atestado de adesão, onde o Brasil  tem muito a perder. Foi de modo semelhante que terminamos envolvidos na II Guerra Mundial.

Que Interessante:

O Grupo Odebrecht cresceu 10 vezes no governo Lula! O Grupo JBS, 40 vezes! o Grupo Odebrecht levou um ano para fazer um acordo de delação premiada o que, além das justas prisões desde pagar bilhões de multa, o que talvez lhe custe a existência, já teve que dispensar mais da metade de seus duzentos mil empregados.

O tratamento dado ao Grupo JBS foi bem mais suave; em vez das prisões, um “purgatório” chamado New York e o pagamento de grande multa, mas equivalente a alguns dias de faturamento e no prazo de duas décadas. O funcionamento do grupo não foi prejudicado.

Até foi bom não travar a JBS. Ao punir os corruptos é importante não matar as empresas, pois elas que geram riquezas e empregos, mas acontece que a Odebrecht era a encarregada de desenvolver equipamentos militares. Precisava ser parada ou ao menos forçada a nunca mais produzir material bélico. Afinal, o melhor meio de neutralizar uma esquadra é impedir que ela seja construída.

Petrobras alcançou, já em 2015, um posicionamento estratégico de causar inveja às suas congêneres multinacionais. O governo desconsiderou essa trajetória de sucesso e optou por enfrentar o endividamento da companhia com a venda de seus ativos mais estruturantes. Foi o predomínio da visão financeira de curto prazo, que desprezou as orientações estratégicas da companhia e os riscos do mercado. A venda de ativos estratégicos é um equívoco monumental e coloca a Petrobras na contramão das grandes petroleiras em todo o mundo. Os sistemas de transporte e distribuição são estruturantes do abastecimento do mercado nacional, principal negócio da empresa e seu maior gerador de receita. As áreas de petroquímica e fertilizantes permitem adicionar valor ao petróleo e ao gás natural, enquanto o setor de biocombustíveis protege o “market share” da companhia nos mercados de gasolina e diesel.

No Mundo

Nos últimos tempos os EUA conseguiram tumultuar a geopolítica do Oriente Médio, mas provavelmente a influência sobre a Síria continuará vindo do eixo Rússia/Irã, ao contrário do que pretendiam os EUA e aliados.

Na Europa Oriental a Rússia vai firmando seu domínio na Crimeia e na Ucrânia que está aos poucos voltando à paz.  Entretanto, na América do Sul será fácil aos EUA derrubar o governo hostil da Venezuela, auxiliado pelas incapacidade do presidente Maduro (ou melhor dizendo, “podre”)

Nosso momento político

Aparentemente todos os grupos políticos se mostram indignados pelos malfeitos atribuídos ao Temer e exigem sua remoção. A maioria da população os acompanha nesse sentimento e pessoalmente ele merece. Entretanto, olhando além do horizonte imediato, a remoção de Temer é danosa ao País (neste momento) e seus possíveis sucessores, todos, seriam bem piores do que ele, que parece estar querendo acertar.

Que Deus nos livre dos políticos corruptos. Se o fizer, sobrarão poucos

Gelio Fregapani

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