EE-T1 Osório – Um dos melhores MBTs do mundo, porém relegado ao esquecimento

Angelo Nicolaci   12/01/2017 Copyleft

O GBN News prosseguindo na série que destaca os grandes feitos de nossa indústria de defesa, agora vamos contar um pouco sobre o que julgamos ser o melhor MBT dos anos 80 e 90, que foi produzido pela Engesa, tendo superado o norte americano M1A1 Abrams em todas as avaliações que foram feitas no oriente médio, sendo injustamente relegado ao esquecimento e abandono, vamos contar um pouco sobre o MBT brasileiro EE-T1 “Osório”.
O EE-T1 “Osório” surgiu nos meados dos anos 80, quando a Arábia Saudita lançou uma concorrência internacional afim de substituir seus obsoletos AMX-30 e buscavam uma alternativa á negativa alemã de lhes fornecer unidades do MBT Leopard II da KMW. A Engesa que tinha um histórico de estar sempre a frente do seu tempo e mantinha os olhos bem abertos ás novas oportunidades, resolveu investir todos seus recursos afim de desenvolver o que viria a ser um dos mais formidáveis MBTs do mundo.
versão EE-T1 com canhão Ordenance L7A3
O EE-T1 “Osório” foi uma iniciativa ousada e arriscada da Engesa, que muito confiante em seu prestígio, oriundo do sucesso de sua linha de viaturas blindadas sobre rodas na região do médio oriente, colocou todas suas fichas no projeto, uma jogada que viria a resultar no fim da empresa caso o novo produto não emplacasse no mercado. Projetado então com financiamento próprio para disputar a concorrência na Arábia Saudita, em Julho de 1987, o projeto do primeiro MBT brasileiro foi batizado de “Osório”, uma justa homenagem ao patrono da cavalaria do Exército Brasileiro, o General Manuel Luis Osório. O novo blindado recebeu o que havia de mais moderno em termos de tecnologia mundial à época, exibindo uma capacidade acima de muitos de seus concorrentes neste período, com um desempenho superior inclusive ao famoso M1A1 Abrams, o qual derrotou nas avaliações a que foi submetido no escaldante deserto saudita e de outros países do oriente médio.
O primeiro protótipo do EE-T1 “Osório” foi concluído em 1985, e o segundo em 1986. O “Osorio” foi projetado tendo em mente não apenas atender aos requisitos da Arábia Saudita, mas também atender as necessidades do Exército Brasileiro, embora o mesmo não tivesse financiado o programa ou apresentado interesse imediato no novo produto da Engesa. O peso do “Osório” ficou estipulado em 43 toneladas, situando o novo MBT dentro do limite da capacidade de carga das pontes rodoviárias e viadutos existentes no Brasil à época. Buscando ainda manter o novo MBT dentro das capacidades de logística brasileiras, muito limitadas foi estabelecido também as dimensões nas quais o Osorio seria construído permitindo o trafego pelas estradas brasileiras e sua fácil locomoção, tendo em vista as limitações da bitola ferroviária brasileira e toda infraestrutura, tornando o “Osório” um MBT de grande versatilidade e mobilidade, ideal para operação em diversos cenários ao redor do mundo.
 
O “Osório” recebeu uma inovadora blindagem composta de alumínio/aço, fibra de carbono e cerâmica, sendo muito resistente e conferindo extrema leveza se comparada aos outros tipos de blindagem. Tal blindagem era capaz de resistir a qualquer projétil anti-tanque no arco frontal disponível naquela época. O “Osório” ainda contava com sistema de supressão automática de fogo e proteção NBC.
 
O “Osório” teve duas variantes, diferindo por seu armamento e eletrônica, uma destinada ao Exército Brasileiro, equipado com um canhão raiado Ordenance L7A3 105 mm, capaz de carregar um total de 45 cartuchos de munição denominada EE-T1. A versão de exportação do “Osório” foi denominada “EE-T2″, projetada para atender ao mercado exigente de exportação, e esta versão foi armada com um canhão de alma lisa GIAT G1 de 120 mm, mas com uma menor capacidade de transporte de munição, podendo levar apenas 38 projéteis. Ambos tinham a torre totalmente estabilizada e carregadas manualmente. O indíce de precisão do EE-T2 apresentava probabilidade de acerto de 80% a uma distância de 2 km contra um alvo em movimento.
 
O armamento secundário do EE-T1 consistia em duas metralhadoras 7,62 mm. Uma delas coaxial, enquanto a outra é disposta sobre a torre. Já a versão EE-T2 contava com uma metralhadora coaxial de 7,62 mm e uma metralhadora 12,7 mm montada sobre a torre.
O conjunto mecânico do “Osório” foi equipado com um motor diesel MWM TBD 234, capaz de fornecer 1.040 cv, uma caixa de transmissão automática ZF LSG300 , com 6 velocidades a frente e duas a ré, que também foi empregada no Leopard 2 alemão, K1 sul-coreano e no italiano C-1 Ariete. Motor e transmissão foram montados em um único bloco, facilitando a manutenção, podendo ser substituídos dentro de 30 minutos em condições de campo. O sistemas de suspensão hidropneumática, usado pelo Osório era o britânico da Dunlop, presente também no Challenger I, as lagartas adotadas eram similares as utilizadas pelo Leopard 2-A4, providas pela Diehl BGT.
O “recheio” eletrônico do “Osório” diferia nas duas variantes, sendo na EE-T1 um recebendo o sistema de controle de fogo Marconi Centaur, equipado com periscópios OiP LRS-5DN (comandante) e LRS-5DNLC (atirador), ambos com sistema de visão noturna. Na variante EE-T2 equipado com sistema de controle de fogo britânico Marconi Centaur, equipado com dois periscópios franceses SFIM VS580 VICAS, para o atirador e para o comandante (sendo que o do atirador, era equipado com um telêmetro a laser e o do comandante era um modelo com visão panorâmica) e um sistema de visão noturna Philips UA9090, de fabricação holandesa, com visores para o atirador e o comandante.
O protótipo do EE-T1 “Osório” equipado com canhão de 120mm competiu com o britânico Challenger, o americano M1A1 Abrams e o AMX-40 francês, derrotando todos os oponentes. Em 1988, em Abu Dhabi, o “Osório” repetiu a façanha, desta vez derrotando também o MBT italiano C-1 “Ariete”.
Em agosto de 1989, foi oficialmente anunciado pelo governo da Arábia Saudita que o EE-T2 “Osório” tinha derrotando os M1A1 Abrams , AMX-40 e Challenger I durante as avaliações. O contrato para aquisição de 340 unidades do “Osorio” no valor de 7,2 bilhões de dólares chegou a ser redigido. Estas unidades do primeiro lote deveriam receber alguns refinamentos para melhorar o desempenho em ambientes desértico, e seriam batizados de “Al Fahd” no serviço exército saudita. Tal vitória deixou todos na Engesa eufóricos, afinal o contrato era o passaporte para sair da crise em que se encontrava, o EB também se mostrou muito interessado, uma vez que a cada 10 unidades do EE-T2 fornecidos aos sauditas, uma unidade do EE-T1 seria entregue ao EB. No entanto, o contrato nunca foi assinado por ambas as partes. Este dilema foi agravado em 1990, quando a Engesa foi forçada a demitir 3 000 funcionários devido a imensa crise financeira em que se encontrava após o calote recebido pelo Iraque, mas em 1991, após a invasão do Kuwait pelo Iraque e todo o desenrolar do conflito ma região, no qual os EUA fortaleceram seus laços com os estados da região, a Arábia Saudita recuou no acordo com a empresa brasileira em face da pressão dos EUA e assinou um contrato para compra do americano M1A2 Abrams.
 
Embora a Engesa continuasse a oferecer o “Osorio” a outros potenciais clientes, a não adotação do mesmo pelo EB e o fim da Guerra Fria, que resultou em uma grande oferta de blindados de segunda mão a preços baixos, fez com que o MBT brasileiro não recebesse qualquer encomenda. Assim, com as dívidas se acumulando, a gigante nacional de defesa Engesa e seu grande feito o EE-T1 “Osório” se tornaram apenas mais uma página na história brasileira.
Há relatos de interesses do EB em retomar o desenvolvimento do “Osório”, uma vez que o mesmo possui todo erário da finada Engesa e o protótipo do “Osório”, porém, a falta de recursos e a omissão de nosso governo em relação á projetos como este, demonstra que infelizmente mais perdemos uma vez a oportunidade de produzir em excelente MBT para atender ao no EB. Lembrando que os conceitos do “Osório” mesmo após tantos anos decorrentes de seu lançamento, o colocam muito a frente dos nossos atuais MBTs.
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