Trump joga no chão a PEC neoliberal de Temer

Cesar Fonseca em 14/11/2016  Copylef

Quem tem dinheiro não está sabendo o que fazer com ele.

Dólar vai continuar valorizando?

Trump disse que vai mandar ver na infraestrutura americana.

Mesma jogada de sempre.

Kenesyanismo.

O governo tem que gastar para puxar a locomotiva do crescimento.

Só no Brasil, com um caixa de 370 bilhões de dólares de reservas, ficam com a conversa fiada de que tem de fazer superavit primário, congelar gasto primário por vinte anos etc, enquanto o povo começa a passar fome por falta de emprego.

Se Trump acelera gastos, vai acontecer o que Keynes fala:

1 – aumenta preços;

2 – reduz salários;

3 – diminui os juros e

4 – perdoa dívida contraída a prazo.

É essa combinação que gera o mandamento keynesiano de produção da chamada eficiência marginal do capital, o lucro.

É quando se desperta o espírito animal do empresário, para ir aos investimentos.

Juros baixos ou negativos, apenas, não resolve.

Se resolvesse, os Estados Unidos – e, também, Europa e Japão – estavam nadando de braçada.

Se o lucro vai ser realizado nos Estados Unidos, onde Trump pretende despertar o espírito animal dos empreendedores, o dólar, por aqui, com a fuga para lá, vai continuar se valorizando.

O que fará o Governo Temer?

Puxará mais ainda o juro para segurar aqui a moeda americana?

Para onde iria a dívida pública, senão para as cucuias?

Ora, a PEC do Teto dos Gastos não está sendo justificada por representar combate ao aumento da dívida?

Diminuir a relação dívida/PIB não é a razão de ser da PEC neoliberal, conforme Exposição de Motivos descrita pelos economistas neoliberais da Fazenda, para justificar congelamento de gastos primários pelos próximos vinte anos?

Se o Banco Central continuar atuando para combater a alta do dólar por meio de juro alto, que é a arma disponível, será o primeiro a destruir a argumentação do próprio governo.

A dívida, com o juro mais alto, vai continuar subindo, mesmo com congelamento de gastos por vinte, trinta, quarenta anos.

As promessas de retomada de crescimento da economia americana, por meio de valorização do dólar, que pressiona os juros nos Estados Unidos, nos próximos tempos, representarão tiro de canhão na PEC do Teto dos Gastos.

A grande contradição estará centrada, exatamente, na economia americana.

dolar-sobeTrump terá fôlego, mediante juro mais alto, decorrente da fuga de dólares para os Estados Unidos, para sustentar o aumento da dívida pública americana, responsável pelas instabilidades financeiras globais, destrutivas da própria economia americana e do partido democrata, derrotado nas urnas?

Pode ou não pintar uma reforma monetária de emergência na terra de Tio Sam, algo que sempre acontece, quando as finanças americanas ficam vulneráveis?

Em 1971, Nixon, diante da pressão de resgate de ouro pelos detentores de dólares, temerosos do déficit público, proveniente da guerra fria, que fêz?

Descolou dólar do ouro.

Deixou a moeda flutuar.

Super oferta de dólares no mundo.

Os bancos americanos e ingleses, o poder financeiro angloamericano, saíram emprestando, adoidado, mundo afora, a juro de 4% ao ano.

Na sequência, em 1979, o BC americano, com todo mundo endividado, puxou os juros de 5% para 21%.

Quebradeira geral.

Entrou em cena o Consenso de Washington para impor terapia neoliberal, desregulamentação financeira, pressão sobre endividados para desmobilizarem patrimônios, privatizações, arrochos fiscais, salariais etc.

Os governos, na periferia, foram obrigados a assumirem dívidas contraídas pelo excesso de oferta de dinheiro decorrente do descolamento do dólar do ouro.

Crise dos anos de 1980 foi isso aí, não o que Delfim diz, que foi aumento do preço do petróleo.

Em 2008, como fruto dessa desregulamentação financeira, da abertura das fronteiras ao capital especulativo, forçado pelos americanos, pintou a crise monetária dos derivativos.

Excesso de oferta de dinheiro especulativo a que se seguiu contração mundial, crise, desemprego, desajuste global.

Consequência, Trump, hoje, presidente americano com promessa de ataques à globalização, expressão da desregulamentação geral, da anarquia capitalista financeira.

Desajuste estrutural do capitalismo americano, agora, superendividado, de pés e mãos amarrados.

Se Trump sobe juro, pode dar xabu na dívida: estouro do endividamento, crise mundial na certa.

A dívida pública americana, caminhando para a casa dos 20 trilhões de dólares, mais os derivativos espalhados pelo mundo, estimados em 700 trilhões de dólares, sinalizam necessidade de novo financiamento para ela.

Faz-se urgente abertura de espaço para cumprimento das exigências econômicas e financeiras da própria economia americana em xeque mate.

Pinta, como lógica, nova reforma monetária nos Estados Unidos com a promessa de desglobalização de Trump.

Temer vai ficar parado, com a boca aberta, cheia de dentes, esperando a morte chegar, com 370 bilhões de dólares, no bolso, que podem ativar as forças produtivas por aqui?

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