Verdadeira Economia de Cemitério

Economista Marcos Coimbra 22/11/2016 Professor, Assessor Especial da Presidência da ADESG, Membro do Conselho Diretor do CEBRES, Acadêmico fundador da Academia Brasileira de Defesa e Autor do livro Brasil Soberano.

A expressão economia de cemitério é de autoria do nosso falecido amigo e colega Prof. Adriano Benayon, doutor em Ciências Econômicas pela Universidade de Hamburgo. Estamos apropriando-nos dela, por representar muito bem o drama vivenciado pelos brasileiros nos dias de hoje. Já amargarmos uma recessão por dois anos sucessivos, com nosso PIB caindo para a nona posição mundial. A renda real dos trabalhadores decresce acentuadamente, a indústria sofre quedas sucessivas a cada período de tempo e o desemprego avança. Oficialmente são 12 milhões de desempregados, mas segundo o Prof. Ricardo Bergamini, “no 3º trimestre de 2016, a taxa composta da subutilização da força de trabalho (que agrega a taxa de desocupação, taxa de desocupação por insuficiência de horas e da força de trabalho potencial) ficou em 21,2%, chegando a 22,9 milhões de pessoas.” Não conhecemos qualquer segmento da economia real que esteja satisfeito, além do “agronegócio”, que continua a resistir bravamente, não sabemos até quando. É óbvio sem considerar o sempre lucrativo segmento financeiro. O país pagou cerca de R$ 500 bilhões de juros da dívida pública em 2015 e a taxa real de juros continua acima de 6%, a maior do mundo, com uma taxa Selic de 14%. Isto retarda o processo de retomada do processo de crescimento econômico, a fim de que possamos depois voltar a sonhar com o esperado desenvolvimento econômico. Em todas as camadas da população, dos níveis mais baixos de renda até aos mais elevados, a queixa é a mesma, guardadas as devidas proporções. Não há dinheiro, não há emprego, com exceção do setor financeiro, onde existe recursos, mas  aumenta o número de demissões.

Muitas pessoas equivocam-se em imaginar que a Economia é uma ciência fria, desumana, interessada em perpetuar as condições existentes de desigualdade, seja a nível pessoal, regional ou setorial. Isto é explicado, em parte, pela maciça divulgação pelos meios de comunicação de massa dos postulados do “globaritarismo” (totalitarismo da globalização), ou seja, do neoliberalismo. Sua própria conceituação caracteriza-a como ciência social, cujo grande objetivo é a maximização da função de interesse coletivo da comunidade, aproximando-se assim do conceito do Bem Comum, ideal de convivência capaz de, ao mesmo tempo em que assegure a busca do bem-estar, construa uma sociedade onde todos tenham condições de plena realização de suas potencialidades e do exercício constante de valores morais, éticos e espirituais.

Desta forma, o principal objetivo de um sistema econômico deve ser o de garantir o pleno emprego dos fatores de produção, ou seja, proporcionar trabalho a todos os componentes da população economicamente ativa (PEA), em torno de 90 milhões de pessoas, com plena utilização própria dos nossos vastos recursos naturais. E, no Brasil, tudo isto é perfeitamente factível. Como? Basta, de início, diminuir a sonegação em  30%, o que provocará recursos adicionais da ordem  de centenas de bilhões de reais a serem investidos na infraestrutura econômica e social, procurando fazer retornar assim a formação bruta de capital fixo a 25% do PIB. Em seguida, diminuir expressivamente a imoral taxa de juros ainda em vigor. Desta forma, serão ativados os setores de energia, transportes, comunicações, saúde, saneamento básico, educação, segurança, ciência e tecnologia.

Garantidos os recursos, vamos verificar o que pode ser feito na área social. Inicialmente, a garantia de que o país, voltando a crescer 7% ou 8% ao ano, aumente a produção, a oferta agregada, gerando mais empregos, seja no setor terciário, o qual no terceiro milênio será o grande absorvedor de mão de obra, seja no estímulo às atividades do “agro business”, acoplando o setor secundário ao setor primário. Desta forma, aumentando a oferta de trabalho, havendo mais equilíbrio entre oferta e demanda de emprego, melhorando a qualidade dos postos de trabalho, os salários serão maiores, proporcionando o crescimento do mercado interno, provocando maior incremento da produção interna, tradicional absorvedora de mão de obra. Este é o ciclo virtuoso do desenvolvimento. Não o que o banqueiro Meirelles, atual ministro da Fazenda, prega.

E o segredo do desenvolvimento está justamente na qualidade dos recursos humanos, em especial na garantia de uma sólida educação básica, realmente formadora, capaz de propiciar a profissionalização daqueles que desejarem e, em paralelo, um ensino superior voltado para a pesquisa, em consonância com os anseios da comunidade, pois hoje mais do que nunca o mais importante é o capital humano. E somente uma população verdadeiramente habilitada é capaz de libertar-se da opressão dos mais ricos e assegurar o pleno desenvolvimento do Brasil. A receita é justamente a contrária à empregada pelas recentes administrações, ou seja, sacrificar a população, por intermédio de “reformas” de caráter confiscatório, que irão provocar a queda da renda pessoal disponível real e, em consequência, do consumo das famílias, a fim de continuar a privilegiar o segmento rentista. Infelizmente, a atual administração parece incorrer no mesmo erro dos seus antecessores. Não é assim que serão resolvidos os problemas do Brasil. A proposta de reforma da previdência, por exemplo, caso aprovada, provocará a vitória de qualquer força política que estiver na oposição, possibilitando até o retorno dos petistas. O povo não aguenta mais pagar a conta do andar de cima.

Correio eletrônico: mcoimbra@antares.com.br

Página: http://www.brasilsoberano.com.br

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