Possíveis consequências da eleição de Donald Trump para as relações entre a China e os Estados Unidos

Ricardo Kotz – Colaborador Voluntário 10 Copyleft

O turbulento processo que culminou na eleição de Donald Trump como o quadragésimo quinto Presidente dos EUA deverá afetar as relações entre Estados Unidos e a China. As tensões territoriais ao Mar do Sul da China, as ambições nucleares da Coréia do Norte e as promessas feitas pelo Presidente eleito em campanha, acerca do comércio global e de protecionismo em relação à economia doméstica estadunidense, são pontos chave que poderão produzir posturas de afastamento e aproximação.

No que tange ao sudeste asiático, uma continuação do “Pivô para Ásia”, com a tentativa de afirmação do tratado de liberalização comercial Transpacífico (que exclui a China), parece improvável. No entanto, a contenção da Coréia do Norte, através da concessão de armamentos nucleares a outros países da região, tais como Coréia do Sul ou Japão, sinalizados por Trump como uma política aceitável, poderia ocorrer, mas ocasionaria uma crise regional. Não obstante, se a administração Trump tiver um foco maior na situação doméstica dos Estados Unidos, a China será beneficiada em seus interesses nesta região.

O Presidente não deverá ser tão crítico em assuntos como autoritarismo político e direitos humanos, pontos que poderiam beneficiar suas relações com a China. Não obstante, os chineses valorizam a estabilidade, e, no momento, a incerteza sobre a postura de Donald Trump, aliada a declarações preocupantes de sua campanha, incluindo a alegação de que a China teria criado a “farsa” do aquecimento global, aumentam as tensões e expectativas acerca de sua atuação. A capacidade de acomodar os interesses da China de maior participação na estruturação da ordem global é uma necessidade real e estratégica.

Como afirmou o teórico Zbigniew Brzezsinki, a estabilidade da ordem global dependerá crescentemente da capacidade de construção de um arranjo econômico e geopolítico que seja capaz de abarcar os interesses dos Estados Unidos, da China e da Rússia. Neste sentido, o que se espera é que o presidente Donald Trump tenha a visão de conduzir as relações entre norte-americanos e chineses, em um tom de cooperação para benefícios mútuos e não de contenção e disputa por influência nos diversos cenários regionais.

Uma oportunidade para a consolidação dessa cooperação entre as grandes potências seria uma ação construtiva para a resolução das crises ocorrendo no Oriente Médio e na Ásia Central. O que se deseja de Trump é uma postura que não veja a China como uma concorrente (para usar termos que remontem à trajetória empresarial do Presidente) e sim como uma possível parceira para a construção de um sistema internacional mais estável.

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