Financiamento desafia energia renovável – Valor

Roberto Ilumina 22/11/2016

Análise do ILUMINA:  O festival de palermices continua.

  1. Como já denunciamos aqui, mesmo sabendo que o nosso sistema conta com caixas d’água que funcionam como reservatórios de energia, o país assiste impassível o estrangulamento do sistema de transmissão.
  2. Até a ex-presidenta sabia que “vento poderia ser estocado”! Mas para isso é necessário que esse vento seja transformado em energia elétrica e transmitido para aliviar os reservatórios. Sem linha não há solução.
  3. O Brasil nem merecia receber a dádiva do gráfico abaixo e que é simples de interpretar, mas, até agora o governo não entendeu: Quando as afluências estão baixas venta mais!!!!

 

  1. O que a presidenta esqueceu é que com o pacote desmonte (MP 579) que ela aplicou na Eletrobras, não há recursos para que a empresa entre nos leilões. Afinal, para não incomodar interesses privados, a filosofia adotada foi de que nem linha e nem usina antiga geram sequer 1 Real para construir linhas ou usinas novas. Por isso a conta de energia ficou tão baratinha!
  2. E a energia de reserva? Um pomposo nome que não teme incoerências. De um lado, contratos feitos sob a alcunha de “garantia física”. Do outro, por baixo do pano, a energia de reserva, porque todos sabem que a garantia não é garantida e sequer física é. E la nave va!
  3. Se um sistema precisa de energia de reserva é porque há algum temor de que o suprimento está ameaçado. Ora, se a carga não cresce e ainda há esse “sofrimento”, que tal se a carga se reduzisse? Sabem o que pode fazer esse milagre? O sol! Geração distribuída! Telhados! Casas mais frescas! Só que, tapando o astro nesse país tropical, a exigência de produção nacional das fotovoltaicas. Certamente, nada mudou!

http://ilumina.org.br/a-sensacao-dos-7×1-continua-forte-artigo/

  1. Mas, apesar dessa outra obviedade, só se pode mesmo apreciar mais do mesmo. O “pujante” setor privado precisa de BNDES. Nada mudou.

Camila Maia

 

As empresas de energia renovável enfrentarão um obstáculo significativo ao desenvolvimento de seus projetos nos próximos anos: a dificuldade de financiamento. Esse será um dos maiores desafios ao setor de renováveis, que já vem sendo pressionado pela falta de linhas de transmissão para escoamento da energia gerada. Para o leilão de energia de reserva (LER) de dezembro, por exemplo, ficaram de fora projetos localizados no Rio Grande do Norte (RN), Bahia (BA) e Rio Grande do Sul (RS), uma vez que a capacidade instalada atual já atingiu os limites de escoamento dos Estados. A mudança do papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve ser combinada a um cenário de crédito restrito, colocando ainda mais obstáculos a serem superados no segmento. De acordo com a CELA Clean Energy Latin America, que presta assessoria financeira e estratégica a empresas e investidores do segmento na América Latina, os investimentos totais em geração de energia renovável devem somar cerca de R$ 200 bilhões até 2025.

A projeção leva em conta estimativas preliminares do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) de 2025, que estimam a necessidade de entrada de 38,1 gigawatts (GW) de potência de fontes eólica, solar e biomassa até 2025. Supondo a taxa média de 60% de alavancagem, eles precisariam de R$ 120 bilhões em financiamento. Isso representa cerca de R$ 22,2 bilhões em investimentos por ano até 2025, sendo que R$ 13,3 bilhões serão financiados. Levando em conta a diretriz do governo de reduzir o papel do BNDES nesses investimentos, o desafio dos empreendedores é enorme. Para Eduardo Tobias, diretor da CELA, a visão apresentada no PCE preliminar da EPE era muito otimista e refletia números que ainda não incorporavam a queda na demanda por energia no país e nem que alguns projetos vencedores de energias renováveis poderão não ser construídos. “Este revés, tanto na demanda quanto na oferta, deve­se principalmente à recessão da economia brasileira, ao reajuste das tarifas elétricas a partir de 2015 e à volatilidade cambial”, disse Tobias. Mesmo considerando que a expansão da matriz de energia renovável seja de 75% da potência projetada pela EPE, os investimentos ainda seriam muito elevados, da ordem de R$ 150 bilhões. Supondo alavancagem de 60%, seriam R$ 90 bilhões em 9 anos, ainda um desafio muito grande. O problema fica maior quando se consideram as mudanças nos financiamentos “tradicionais” para o setor. Recentemente, o BNDES aumentou o limite de alavancagem da fonte solar de 70% para 80% dos itens financiáveis, mas manteve em 70% para outras fontes renováveis, como as eólicas. Segundo cálculos da Cela, porém, o limite real de alavancagem em solar é muito menor, devido a realidade do ritmo de desenvolvimento da cadeia de produção do setor. Como há a exigência de fabricação local de células, o limite chega a 57% no leilão de energia de reserva (LER) do início de dezembro. Se a regra vigente for mantida, pode chegar a 0% para os vencedores dos leilões de 2017, em função da exigência de fabricação local das células.

No caso das eólicas, os limites do BNDES foram mantidos em 70% dos itens financiáveis, mas o banco começou a sinalizar recentemente para o setor sua preferência por operações indiretas ou mistas, com a presença de agentes repassadores, segundo a Cela. Essa prática não altera diretamente o volume de capital alocado ao setor pelo BNDES, mas traz um aumento significativo no custo de financiamento para os empreendedores, diz a consultoria. As debêntures de infraestrutura poderiam ser uma alternativa para ajudar na expansão do setor, mas ainda estão muito longe disso. Conforme a Anbima, desde a criação do instrumento, em 2011, até o início deste mês, tinham sido emitidos R$ 16,7 bilhões em debêntures de infraestrutura. Desse montante, no entanto, apenas R$ 3,9 bilhões tiveram como destino o setor de energia, incluindo geração e transmissão. O montante alocado em geração de energia renovável, excluindo grandes hidrelétricas, é ainda menor. Foram dez emissões de complexos eólicos, somando R$ 636,8 milhões, nenhuma de bioenergia ou solar e algumas poucas de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). O próximo leilão de energia exclusivo para fontes renováveis está marcado para 16 de dezembro, com a negociação de projetos das fontes solar e eólica.

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