“Nossos problemas e nossa oportunidade” e “Atualmente no mundo”.

Gelio Fregapani 04/10/2016 Copyleft

 Nossos problemas e nossa oportunidade

Terminada a eleição pode ser confirmado o repúdio à corrupção e a desintegração do PT. Bem merecido! Bem-vindo no momento em que interrompeu a entrega dos recursos naturais por FHC, o governo PT foi falho na administração, um desastre na corrupção. Terminou por perder o apoio dos nacionalistas por seu esquerdismo militante mostrando-se mais ligado a uma hipotética União Sul-Americana do que ao próprio Brasil.

Durante todo o tempo o PT apoiou os países socialistas com verbas que nos faziam falta, cedeu a exigências e até a chantagens e não reagiu quando nos tomavam a força os investimentos da Petrobras. No final, para atenuar as pressões da oligarquia financeira internacional, ensaiou o ceder parte do Pré-sal. Agora o PT está em coma e a única coisa que poderia fazê-lo despertar seria o fracasso do novo governo, o que esperamos, não acontecer.

Estamos, é certo, bem melhor sem o PT, mas isto somente, não significa o melhor dos mundos, o novo governo mostra certos aspectos entreguistas que podem repetir a política antinacional do FHC, principalmente na questão do petróleo do pré-sal.

A gestão da segurança energética é assunto prioritário de todos os países. Petróleo e gás natural serão insumos estratégicos para quem se proponha ser soberano ao longo deste século. Qualquer país, se for poderoso bastante, não terá limite em aplicar sua influência para assegurar o suprimento e se isto não for suficiente, lançará mão de suas Forças Armadas para o conseguir.

A história do século passado mostra essa realidade. A revolução Industrial, na Europa, no século XVIII e nos Estados Unidos, no século XX só puderam acontecer com oferta abundante de energia; carvão mineral no processo europeu e de petróleo e eletricidade no norte-americano. A curto prazo vieram as consequências econômicas, políticas, sociais, científicas e tecnológicas.

Esses fatores que determinaram o surgimento e a construção das grandes e hegemônicas economias da Europa e dos Estados Unidos. Nos dois casos propiciaram o nascimento e o desenvolvimento da tecnologia e da engenharia industrial.

E nós? O que nos condenou, até agora, à acachapante posição de “terceiro mundo”?

Com reservas modestas de carvão-vapor de baixo conteúdo energético, atravessamos o século XIX num estágio medieval de atividades produtivas, restritas ao setor agrícola, então compatível com energia da lenha, da roda-d’água, da tração animal e do braço escravo.

Demorou a haver iniciativas de produção de petróleo e gás e em consequência o retardo no desenvolvimento. Apenas no século XX se inicia o emprego da eletricidade na iluminação, no transporte urbano e na produção industrial, enquanto já havia intenso crescimento na Europa e nos EUA, cujas empresas, já avançadas em tecnologia, instalaram-se no Brasil para explorar o mercado.

Assim surgiram as primeiras indústrias, de tecidos e de calçados. A totalidade dos equipamentos da eletrificação, no transporte por bondes e nas outras aplicações da eletricidade era importada tal como o sistema ferroviário inteiro, com locomotivas a vapor, vagões e trilhos, tudo vindo de fora. Até entrar em operação a usina da Companhia Siderúrgica Nacional nós produzíamos apenas ferro gusa e lingotes. Tudo vinha do exterior.

A energia suficiente para alavancar o início da industrialização só ficou disponível a partir da construção de grandes hidrelétricas para aproveitar o imenso potencial hídrico brasileiro, no Governo Militar. Nesse período houve o início do processo da nossa industrialização, embora “tardia” e alicerçada em tecnológicas estrangeiras e quase inteiramente sem autonomia de decisão por parte da sociedade brasileira.

Acrescenta-se a essa fragilidade estratégica o sermos, naquela época importadores de petróleo, recurso indispensável ao desenvolvimento de um país.

Nossa soberania, claro, era capenga até porque a hidroeletricidade não substitui o petróleo em muitos dos suas utilidades e um processo de industrialização não se garante com esse insumo dependente de supridores externos.

Eis que o pré-sal, a maior província petrolífera do mundo dos últimos 50 anos, é encontrado pela Petrobras, em frente à mais importante região industrial do nosso País.

Enfim, 250 anos depois da Revolução Industrial teremos oportunidade de dispor de energia abundante para construir, com autonomia, um processo de industrialização com a dimensão energética alicerçada, em implantação, operação e manutenção, dominados por empresas de capital brasileiro, com centros de decisão no Brasil.

Adiciona-se a essa extraordinária oportunidade estratégica que o Brasil afinal detém, o rico conteúdo em gás do pré-sal,  não só para suprir com abundância a demanda por parte da indústria e do consumo doméstico, mas também pela presença de matéria-prima para fabricação de fertilizantes, outra fragilidade nacional na medida em que o nosso importantíssimo agronegócio, uma das principais colunas de nossa economia, depende de fertilizantes importados. Também é igualmente rico em insumos básicos para a produção petroquímica, setor importante da economia moderna.

Entretanto, essa autonomia não representará soberania se não estiver baseada, concretamente em tais pressupostos. É este o perigo que sentimos com o ensaio de desnacionalização por setores do atual Governo. A soberania nacional é mais importante do que um momentâneo e temporário alivio financeiro que a venda do Pré-sal poderia proporcionar.

No Mundo: 

Se o imenso potencial de destruição tem impedido o conflito bélico direto entre ao EUA e a Rússia, tem propiciado oportunidades cada vez maiores de guerras periféricas. O nosso País se crê distante da guerra geopolítica, mas está no centro. É impossível deixar de perceber a analogia da situação atual com as vésperas da II Guerra entre as potências centro-europeias e as democracias ocidentais. Naquela ocasião a Alemanha precisava de matérias prima e a Inglaterra queria manter seu mercado.

Ambos os lados mantinham as pressões, o lado ocidental até com a ameaça velada do uso da força. Militarmente éramos insignificantes, quer como aliados, quer como inimigos, mas a posição geográfica do nosso Nordeste tornava-se mais e mais importante para as democracias, a medida em que os EUA se aproximavam da guerra.

A situação atual assemelha-se a histórica, agora com o antagonismo EUA/OTAN x China/Rússia, sendo que a importância da posição do Nordeste pode ser substituída pela importância das jazidas do Pré-sal e tendo a China como sócia em uma área de influência dos Estados Unidos, o Brasil está na linha de impacto de um megaconflito entre Ocidente e Oriente, se chegar a acontecer.

Nos primórdios da II Guerra houve a Guerra da Abissínia, de tão pouco interesse para nós como as do Iraque e a ocupação dos Sudetos, similar a atual ocupação da Ucrânia.

Até aí tudo bem. Agora, como então nos interessa a neutralidade mas na II Guerra fomos forçados a tomar posição por manobra psicológica e ameaça de invasão do Nordeste e agora o objeto ambicionado é o Pré-sal. A manobra psicológica já começou.

Caso se ampliem as guerras periféricas não é necessário uma guerra geral para garantir o suprimento e a nossa debilidade militar está, em termos similar a da época da II Guerra.  Deu para entender?

Se ainda não, lembro a citação de Bismark “Riquezas naturais de posse de povos que não querem ou não podem explorar deixam de ser uma vantagem par se tornar um perigo para seus detentores.

Que o Deus dos Exércitos nos dê coragem porque a força nós podemos criar.

Gelio Fregapani

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