A marcha da recolonização

Mauricio Grillo Jr. 09/10/2016

O processo de dominação em curso no mundo alcançou as economias chamadas emergentes e tem encontrado um campo fértil para estabelecer suas prioridades e tomar o Estado em nome, sem exceção, da oligarquia transnacional.

O capital financeiro anglo americano, não é novidade, financia golpes pelo mundo afora há muito tempo. Através de lideranças articuladas ao seu projeto, insufla amplos setores de massa e as joga nas ruas, numa artimanha que ganha a mídia interna, que passa a repercutir a reação dessa massa, destacando nelas somente as ações violentas. A intenção é abalar governos que coloquem em prática, políticas que emancipem amplos setores marginalizados.

Essa emancipação pode significar para esses setores, a médio prazo, a compreensão de sua situação, o entendimento de seu papel hegemônico, a negação do projeto de poder das classes abastadas e como resultado, a tomada do poder através de um projeto que lhes garanta a possibilidade de uma vida mais digna, colocando em risco os planos de domínio.

Tal visão, precedida de um aparato ideológico conservador, pressupõe então o controle do estado através do qual pode defender seu projeto de dominação. Daí a importância dos golpes que passaram a fazer parte do cotidiano político de países não aliados ou não totalmente alinhados.

O Brasil passou a fazer parte das regiões que precisam ser controladas e subservientes. Para sobreviver a isso é preciso que o projeto de poder de quem governa, contemple ações que facilite o controle do Estado pelas mãos dos aliados internos das oligarquias estrangeiras. Nos últimos 14 anos a política dos governos que antecederam ao atual, caminhava em direção oposta, porque propunha a diminuição da pobreza e a inserção de setores marginalizados na vida acadêmica, por exemplo. Essas ações, não encontraram respaldo dentro do projeto liberal que privilegia a elite minoritária. Razões, entre outras, para o golpe do dia 31 de agosto.

Com o caminho livre, o Estado passou a mãos confiáveis e o projeto de dominação encontrou o campo fértil para agir. Como um pré-requisito para a tomada do Estado definitivamente, a soberania, aos poucos, será substituída pela dependência externa através das privatizações que entregarão empresas estratégicas como a Petrobrás e fontes de riquezas como o Pré-Sal. O controle da economia irá estabelecer os caminhos que a sociedade deverá seguir, o parlamento e o judiciário irão se adaptar a essa nova ordem, os países que se indignaram com o golpe não vão cortar relações comerciais com o Brasil e a recolonização a que estamos sendo submetidos, criará raízes.

A não ser que haja uma reação contundente, nosso futuro não precisará de uma bola de cristal para ser visto. Ele está diante dos nossos olhos.

Mauricio Grillo Jr.

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