Aneel defende retorno de hidrelétricas com grandes reservatórios – Valor

ILUMINA  29/09/2016 Copyleft

Análise do ILUMINA: Essa tese mostra que as autoridades do setor elétrico brasileiro têm dificuldades com contas simples.

Eis aqui dois exemplos:

Exemplo 1 – Na intervenção para reduzir tarifas imposta por medida provisória em 2012 (MP 579) a tese era que a tarifa brasileira era cara porque as usinas antigas “cobravam” muito caro e, na realidade, já tinham sido amortizadas. Esquecendo o equívoco do “cobravam”, porque os preços foram definidos em leilões, a conta abaixo parece que ninguém fez.

Se a meta era reduzir as tarifas através do barateamento da energia das usinas antigas (praticamente, usinas da Eletrobras) seria indispensável saber que proporção da energia estaria sujeita a essa intervenção.

O gráfico abaixo mostra uma conta aproximada da situação na época da intervenção.

As usinas que poderiam sofrer a intervenção representavam aproximadamente 20% do total das usinas hidroelétricas.

No custo total para o consumidor, nem tudo é o kWh consumido. Há custos de distribuição, transmissão, encargos e impostos. Em 2011, ano anterior à intervenção, em média, apenas 30% da fatura se referia ao kWh consumido.

Nem toda energia é oriunda de hidroelétricas, sendo que uma aproximação bastante otimista seria 80%.

Portanto, se a energia das usinas sujeita à intervenção fosse entregue gratuitamente, a redução máxima não ultrapassaria 4,8%.

Apesar disso, foi feito, causando um estrago monumental no setor!


Exemplo 2Se o sistema integrado contar com mais usinas com reservatórios, a tese é que “mais capacidade de reservatórios permite a formação de um estoque de água para produção de energia fora do período de chuvas”

 Atualmente, somadas as capacidades totais de reserva de todas as usinas do sistema interligado, podemos ter um “estoque máximo” equivalente a 5 meses de carga total, ou o equivalente a 220 TWh. Por que indexar à carga? Porque a geração de energia (que atende a carga) é a saída dos reservatórios.

 Vamos supor que se queira aumentar essa capacidade de 5 meses para 6 meses de carga. Ora, até prova em contrário, 6/5 = 1,2 (120%).

 Portanto, precisaríamos uma “estocagem” adicional de 20% da atual.

 Todas as usinas e reservatórios do Rio S. Francisco representam 18% da estocagem atual.

 Portanto, quem defende essa tese acha que é possível construir tal acréscimo para melhorar em apenas 1 mês de carga a capacidade de regularização do sistema. Ou seja, agora, já precisariamos de um outro Rio São Francisco!

O ILUMINA propõe um desafio à ANEEL: Apontar os lugares dos novos reservatórios e garantir que, quando concluídos, não precisaríamos de uma nova leva de reservatórios, pois, a não ser que o Brasil “vá para o buraco”, a carga deve crescer.

Infelizmente, o mais grave é que é inútil o ILUMINA mostra coisas óbvias. A falta de transparência e diálogo continuam à todo vapor.


 

Por Rafael Bitencourt e Camila Maia

O diretor­-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, defendeu nesta quinta-feira a retomada dos projetos de hidrelétricas com grandes reservatórios de água. Em evento do setor, o diretor da agência explicou que, apesar de causar maior impacto socioambiental, esses empreendimentos garantem maiores benefícios para a sociedade e para o sistema elétrico em si

“É preciso tornar mais claro para a sociedade quais os benefícios desses projetos”, disse Rufino no painel de abertura da 16ª edição do “Encontro Anual dos Associados da Apine”, a Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica.

Com estilo mais contido, Rufino costumava defender sua posição sobre o tema de forma mais reservada. Hoje, o diretor da Aneel afirmou que a “resistência organizada” de grupos afetados pela construção dos empreendimentos levou ao abandono das hidrelétricas com reservatórios a partir dos anos 1990.

O setor se beneficia das usinas com reservatórios porque o modelo possibilita a construção de projetos com mais capacidade de geração e permite a formação de um estoque de água para produção de energia fora do período de chuvas. As hidrelétricas com os chamados “reservatórios de regularização” se contrapõem às usinas a “fio d’água”, com área reduzida de alagamento e menor impacto socioambiental.

Rufino considera que o setor precisa falar mais de outras vantagens dos projetos com grandes reservatórios, além do ganho de renda e da elevação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDB) da população afetada. Para ele, é preciso ressaltar que a contrapartida ao abandono desses projetos é a construção de mais termelétricas, com forte emissão de gás carbônico e geração de energia mais cara.

O diretor da Aneel considera que, para o debate transcorrer de forma “mais equilibrada”, é preciso realizar uma análise mais aprofundada dos reais impactos dos projetos. Ele admite que o “potencial remanescente” de projetos com reservatórios está nas regiões amazônicas, com possibilidade de alagamento de áreas de floresta onde vivem comunidades indígenas.

Sistema de transmissão

Os esforços implementados pela Aneel, pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) no segmento de transmissão de energia têm a intenção de atrair novos investidores para os leilões, afirmou Tiago Correia, diretor da Aneel, em um evento sobre perspectivas para o setor elétrico promovido pela S&P Global, em São Paulo.

“Precisamos que as empresas tradicionais de transmissão que se afastaram de leilões voltem, e que as empresas de geração e distribuição também se dediquem a isso”, disse Correia.

Segundo ele, a rentabilidade e as taxas de retorno desenhadas para os novos contratos de transmissão de energia são uma situação “extraordinária”.

“Uma movimentação de fundos ou novos agentes agora vai poder aproveitar uma janela de oportunidade que não vai ser muito longa”, afirmou. Segundo o diretor, as taxas de retorno acima da média do mercado devem prevalecer por cerca de dois anos, para atrair os novos agentes.

Na terça-­feira, a Aneel aprovou a elevação da receita anual permitida (RAP) do leilão de transmissão marcado para 28 de outubro em cerca de 13%.

“O payback do investimento é em cinco anos”, disse Correia. Além disso, a taxa de retorno referencial, que depende ainda do financiamento e dos custos finais do projeto, está na ordem de 11%, líquida de imposto e inflação. Considerando a inflação, pode ficar ainda mais elevada e atrativa, disse o diretor.

A expectativa da agência reguladora é que os leilões de transmissão passem a ter resultados mais “expressivos”, para garantir o atendimento da carta e evitar o corte.

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