Elefante e a Louça 

Roberto do Ilumina

A redução da conta de luz promovida pelo governo Dilma prejudicou as contas a Petrobras quase tanto quanto a corrupção. A estatal foi obrigada a reconhecer no seu balanço que pode não receber R$ 4,5 bilhões devidos pelo setor elétrico.

Comentário: Um elefante numa loja de louças não tem a intenção de quebrar nada, mas, o seu tamanho e o modo como se move, tornam sua passagem um desastre.
Pode parecer um exagero, mas a analogia é perfeita. Redução na conte de luz advinda de amortização de investimentos é sempre possível. Fizemos isso durante vários anos até 1995, quando o Brasil, apesar de ter um sistema físico radicalmente distinto, resolveu “imitar” o sistema inglês. Até esse momento, o elefante não tinha entrado em cena…talvez os análogos do reino animal sejam os macacos e os papagaios.
A partir de 2003, começa o reinado do desastrado elefante, pois, ao contrário do prometido na campanha e a partir da experiência do racionamento, começa o tempo do “não é assim que se faz”.  Entendam como se quebram as louças:

  1. O modelo brasileiro, que era regido pelo injustamente criticado custo do serviço, mudou para o injustamente endeusado sistema de mercado. Portanto, o que se praticou desde 2003 foi um conjunto de PREÇOS de energia. Não há sentido algum em se falar de tarifa de geração, uma vez que mesmo as estatais tinham PREÇOS determinados por leilões.
  2. Mas ai o elefante resolve olhar para trás e, em 2012, lembra que o sistema já foi regido por custo. Nessa virada, copos, taças, pratos e jarras se espatifam, porque, ao invés de olhar o que está contabilizado, resolve usar uma matemática contestável para dizer qual é o custo e a amortização.
  3. Num sistema de mercado, onde predominam PREÇOS, o elefante inventa TARIFAS. Pior! Tarifas por usina, coisa que não existe em nenhum lugar do planeta.
  4. Pior, em relação aos preços então vigentes, a tarifa das usinas passa a ser 93% mais baixa. Nem assim, a tarifa para o consumidor se reduz.
  5. Nessa manobra, a Eletrobrás, uma louça já fragilizada pelas maldades anteriores, leva um tombo de 70% do seu valor.
  6. A CDE, uma conta de subsídios criada no período dos macacos e papagaios, é retirada da responsabilidade dos consumidores pelo elefante. Era administrada pela Eletrobras, bizarrice sem sentido, mas, como seria para pagar a geração térmica da região norte, pega a Eletrobras sem um tostão.
  7. A Eletrobras, já super fragilizada, despenca sobre a louça Petrobras. Essa, com seus próprios elefantes, faz uma barulheira danada e o quebra-quebra da Eletrobras não é nem percebido.

E assim, a loja de louças, vira um monte de cacos de vidro onde trafegam, descalços, adivinhem quem? Os …..consumidores

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